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Kleevo
9 de setembro de 2026 4 min de leitura Conteúdo Kleevo

Bandeiras de cartão — como Visa, Mastercard e Elo — não são bancos e não emitem o cartão que chega às mãos do cliente. Elas desempenham um papel específico dentro do Sistema de Pagamentos Brasileiro: são as instituidoras do arranjo de pagamento, ou seja, quem cria e organiza o conjunto de regras que faz uma compra de cartão funcionar do início ao fim.

O que é um arranjo de pagamento

Segundo o Banco Central do Brasil, um pagamento com cartão depende da existência de um instituidor do arranjo de pagamento — a pessoa jurídica responsável pela criação e organização do arranjo, como as bandeiras de cartão de crédito — e das próprias regras e procedimentos que esse instituidor cria para disciplinar o serviço, incluindo prazos de liquidação, condições de adesão de bancos e instituições de pagamento, e regras de segurança contra fraude e clonagem.

Em outras palavras, a bandeira não processa a venda nem guarda o dinheiro do cliente: ela define o padrão que todos os participantes da cadeia — banco emissor do cartão, credenciadora (adquirente) e subcredenciadoras — precisam seguir para que a transação seja aceita em qualquer lugar que aceite aquela bandeira.

Quem faz o quê na cadeia de um pagamento com cartão

Por que o Banco Central reforçou o papel das bandeiras

Em novembro de 2025, o Banco Central publicou a Resolução BCB nº 522, alterando regras de gestão de risco nos arranjos de pagamento. Segundo a Agência Brasil, o BC deixou claro que as bandeiras, como Visa, Mastercard e Elo, passam a ser responsáveis diretas por garantir o pagamento das transações aos usuários recebedores, mesmo que ocorram falhas nos mecanismos de proteção do sistema. Ou seja: se um banco emissor ou uma credenciadora falhar no repasse, a responsabilidade final pela liquidação recai sobre a bandeira, que deve usar recursos próprios se os mecanismos de proteção adotados não forem suficientes.

A mesma norma também trouxe um limite de responsabilidade para chargebacks: a contestação de uma transação pelo titular do cartão passa a ter responsabilidade dos participantes limitada a 180 dias após a autorização, e, depois desse prazo, a bandeira assume o caso, caso as regras do arranjo permitam.

Arranjo aberto x arranjo fechado

Existe uma distinção prática relevante para quem vende online: um arranjo de pagamento pode ser aberto ou fechado. No arranjo aberto — o caso de Visa, Mastercard e Elo — o cartão pode ser usado em qualquer estabelecimento credenciado que aceite aquela bandeira. No arranjo fechado, o cartão é emitido por um único estabelecimento ou grupo de parceiros e só funciona dentro desse universo restrito, como cartões de loja usados apenas na rede que os emitiu.

O que isso significa para quem vende online

Para lojas e negócios digitais, entender essa cadeia ajuda a interpretar prazos e responsabilidades quando algo sai do previsto:

Perguntas frequentes

A bandeira é a mesma coisa que o banco que emitiu meu cartão? Não. O banco (ou instituição de pagamento) é o emissor; a bandeira é quem define as regras do arranjo que todos os participantes seguem.

Quem regula as bandeiras de cartão no Brasil? O Banco Central do Brasil regula e supervisiona os arranjos de pagamento e as instituições de pagamento que operam dentro do Sistema de Pagamentos Brasileiro.

Uma loja pode aceitar uma bandeira sem passar por uma credenciadora? Não. A aceitação depende de adesão ao arranjo por meio de uma credenciadora ou subcredenciadora autorizada a operar aquela bandeira.

Entender o papel de cada participante da cadeia de pagamento ajuda a escolher melhor quem processa as vendas do seu negócio. Veja também como funciona a relação entre adquirente e subadquirente e conheça como a Kleevo Pay organiza cartão, Pix e conciliação em uma única operação.